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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A PRESA E OS LOBOS




Ela sabia que eles viriam. Não fora combinado, não fora marcado — era um entendimento silencioso, um acordo de pele e saliva que se renovava sempre que a lua se escondia atrás das nuvens. O corpo dela já estava molhado antes de ouvir os passos no corredor.

Três homens. Cada um com uma energia diferente, cada um com uma fome distinta.

O primeiro entrou com a calma de um predador que sabe que a presa não vai fugir. Era alto, ombros largos, barba cerrada. Não fechou a porta atrás de si. Queria que os outros vissem.

O segundo era mais magro, olhos escuros e mãos rápidas. Entrou sem fazer barulho, como uma sombra que se cola à parede.

O terceiro era o mais jovem, mas os olhos dele tinham a idade do desejo mais antigo. Fechou a porta devagar e trancou-a.

Ela estava deitada na cama, nua, as pernas ligeiramente abertas, os braços estendidos como quem se oferece a um altar. Não havia vergonha no seu corpo. Havia apenas entrega.

— Sabes por que estamos aqui? — perguntou o primeiro, a voz grave e lenta.

— Sei — respondeu ela, a língua a molhar os lábios secos.

O segundo aproximou-se da cama e sentou-se na borda. Os dedos dele percorreram a perna dela, desde o tornozelo até à virilha, com uma lentidão que fazia a pele arder. Ela fechou os olhos e sentiu o toque como uma promessa.

O terceiro ficou de pé, ao lado da cama, a olhar para ela como quem estuda um mapa antes de uma viagem.

— Abre a boca — disse ele, e a voz era baixa, mas firme.

Ela obedeceu. A língua apareceu, húmida e exposta. Ele libertou o sexo da calça, erecto e inchado, e guiou-o até à boca dela. Ela não hesitou. Os lábios envolveram a glande, a língua enrolou-se à volta da haste, e ela começou a chupá-lo com uma cadência lenta e profunda, enquanto os olhos se mantinham fixos nos dele.

Enquanto a boca dela se ocupava, o primeiro homem aproximou-se por trás. As mãos dele seguraram os quadris dela e puxaram-na para a borda da cama. Ela arqueou as costas, oferecendo-se, enquanto a boca continuava a deslizar sobre o membro do terceiro homem.

O segundo homem ajoelhou-se entre as pernas dela. Os dedos dele encontraram o centro molhado e quente, e ele não esperou. Mergulhou os lábios ali, a língua a percorrer a fenda, o clitóris a ser sugado com uma precisão que fez o corpo dela tremer.

Três homens. Três toques. Três fomes diferentes a devorá-la ao mesmo tempo.

O primeiro homem alinhou-se atrás dela, a ponta do sexo a roçar a entrada húmida. Ela sentiu a pressão, sentiu o calor, e prendeu a respiração. Ele entrou lentamente, centímetro a centímetro, enquanto os dedos apertavam-lhe os quadris com violência.

A boca dela continuava a sugar o terceiro homem, a língua a deslizar pela haste, os lábios a apertarem a pele. A respiração dele acelerava, os dedos enrolados no cabelo dela, guiando o ritmo.

O segundo homem não parava de lamber o seu centro, a língua a mergulhar fundo, os dedos a pressionarem o clitóris, o ritmo implacável.

Ela sentiu o primeiro homem começar a mover-se por trás. As estocadas eram profundas e curtas, o ritmo acelerado, o som da pele a bater na pele a misturar-se com os gemidos abafados pela boca cheia.

— Mais — sussurrou ela, a voz partida — mais fundo.

O primeiro homem obedeceu. As mãos apertaram os cabelos dela, puxando-a para trás, expondo o pescoço. Mordeu-lhe a nuca, enquanto o ritmo se tornava mais violento.

O segundo homem levantou-se, os lábios brilhantes, e posicionou-se à frente dela. A mão dele segurou o queixo dela e guiou o seu rosto para cima.

— Olha — ordenou — olha o que estás a fazer.

Ela olhou. Viu os três homens à volta dela, cada um com o desejo estampado no rosto. E sentiu o poder de os ter ali.

O terceiro homem saiu-lhe da boca, e ela sentiu o vazio momentâneo. Mas rapidamente o primeiro a substituiu, sentando-se na cama e puxando-a pelo cabelo até que a boca dela encontrasse o seu membro húmido.

O segundo homem ajoelhou-se novamente entre as pernas dela, mas desta vez enfiou dois dedos dentro dela, curvando-os, pressionando a parede interna. O polegar continuava a tocar o clitóris, e o ritmo era tão acelerado que ela sentia o gozo a subir como uma maré.

— Não pares — implorou ela, a boca ainda cheia do primeiro homem — não pares, não pares...

Mas eles pararam.

Todos eles pararam.

O silêncio encheu o quarto. Ela ficou ofegante, o corpo a tremer, os olhos úmidos.

— Pediste para parar? — perguntou o terceiro, com um sorriso lento.

Ela balançou a cabeça, desesperada.

— Então diz — o primeiro homem aproximou-se, a voz rouca — diz que és nossa. Que este corpo é para nos servir.

— Sou vossa — gemeu ela, a voz partida — sou vossa, sou vossa, sou...

O segundo homem não a deixou terminar. Os dedos voltaram a entrar, e o gozo explodiu antes que ela pudesse preparar-se. O corpo contraiu-se violentamente, os dedos apertaram os lençóis, o grito escapou-lhe rouco e longo.

Os três homens não pararam. O primeiro entrou novamente nela por trás, enquanto o segundo a beijava com fome e o terceiro guiava a mão dela para o seu membro, forçando-a a acariciá-lo enquanto o gozo ainda ecoava.

O ritmo tornou-se brutal. Cada um se movia sem sincronia, a devorar o corpo dela de todos os lados, os gemidos a misturarem-se, o suor a escorrer, os lençóis a desfazerem-se.

Ela sentiu o segundo homem gozar na sua boca, o líquido quente a escorrer-lhe pela garganta. O primeiro homem gozou dentro dela, o corpo a tremer, os dedos cravados na sua anca. O terceiro homem gozou por cima do peito dela, o esperma a escorrer pelos seios até à barriga.

Três gozos. Três corpos. Uma só mulher.

Quando tudo terminou, ficou deitada no centro da cama, coberta de líquido, de suor, de marcas. Os três homens estavam deitados à volta dela, a respiração a acalmar-se, o silêncio a pesar sobre os corpos.

O primeiro homem virou-se para ela, a mão a descansar sobre a sua barriga ainda trémula.

— Ainda tens fome?

Ela abriu os olhos lentamente, com um sorriso lento que era também uma promessa.

— Sempre.






Cléia Fialho

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