TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia






sexta-feira, 26 de junho de 2015

O CALOR VIROU TEMPESTADE


Às vezes o começo era só um sussurro
o lento aprender das mãos sobre a pele,
teu nome dissolvendo-se na minha boca
como açúcar que não quer pressa.

Eu te desenhava devagar com a ponta dos dedos,
mapa secreto de quem ainda não chegou,
e cada arrepio teu era um idioma
que só eu sabia traduzir no escuro.

Depois vinha a viagem,
corpos virando página um do outro —
de lado, de frente, inventando geografias,
tua respiração subindo pela minha espinha
como quem acende um fósforo
e esquece de apagar.

Eu era maré e tu eras a praia,
avanço e recuo, sal e espuma,
o ritmo nascendo entre nós dois
sem que ninguém dissesse o compasso.
Guiei teus quadris como quem conduz uma dança
que só se aprende dançando.

E quando o calor virou tempestade mansa,
quando o fôlego se perdeu entre risos e silêncios,
chegamos juntos ao mesmo instante —
duas ondas que arrebentam na mesma pedra
e voltam, inteiras, para o mesmo mar.




  Cléia Fialho


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