As costas dela bateram na pedra fria antes que pudesse respirar. As mãos grandes agarraram-lhe os ombros, os dedos calejados cravando-se na carne magra coberta de suor. Ela recuou — instinto, medo, a última centelha de resistência — mas o corpo curvou-se para a frente, os seios roçando o peito dele, a traição muda da carne que já não lhe pertencia.
— Vais ser a mártir dos meus sujos pecados — a voz dele, grave e seca, escorreu-lhe pelo ouvido como aço frio.
A coxa dele forçou-se entre as pernas dela, o tecido da saia esfregando contra a vulva. O roçar áspero arrancou-lhe um gemido que ela tentou engolir. Mordeu o lábio inferior até sentir a pele ceder, o gosto metálico invadindo a boca, quente e salgado.
— Vou fazer-te entrar no inferno dos gozos infinitos.
As correntes que apertava nos dedos — as amarras que a prendiam à repressão, ao silêncio, ao desejo nunca nomeado — tilintaram no chão de pedra quando os dedos se abriram. Ele agarrou-lhe o queixo e obrigou-a a abrir a boca sangrenta.
A língua dele invadiu-lhe a boca como uma lâmina quente. Os dentes cravaram-se no lábio ferido, a dor aguda arrancando-lhe um gemido abafado que se perdeu na garganta dele. O sangue escorreu pelo queixo, gota espessa e morna. As mãos calejadas agarraram a blusa e rasgaram o tecido — o som seco do algodão cedendo ecoou na pedra fria.
Os seios nus expuseram-se ao ar, os mamilos endurecidos. Os polegares dele beliscaram-nos, torceram-nos, e ela soltou um grito estrangulado. Depois o chão. Os joelhos bateram na pedra. A mão na nuca empurrou-lhe o rosto contra o volume rígido sob as calças dele.
O cheiro do couro das calças dele invadiu-lhe as narinas quando o rosto foi pressionado contra o volume rígido. Os dedos na nuca não deram trégua. Ela abriu a boca, a língua encontrando o tecido áspero, o gosto de sal e suor. Ele soltou o cinto com um puxão seco. O pau saltou livre, grosso e rijo, a glande roxa e brilhante. Não houve comando — a mão na nuca empurrou-a para baixo e o pau forçou a entrada da garganta.
Ela engasgou, a saliva espessa jorrando e escorrendo pelo queixo, pingando nas pedras frias. Os olhos encheram-se de água. Ele não parou. Estocou fundo, a garganta dela contraindo-se ao redor da carne quente, o som molhado do engasgo ecoando. As unhas dela cravaram-se nas coxas dele, os nós dos dedos brancos. Ele grunhiu, um som grave e satisfeito, e puxou-a pelos cabelos para trás. O pau saiu com um estalo úmido, um fio de saliva ligando a glande aos lábios inchados dela.
Depois o chão de novo. Ele virou-a de bruços, o rosto pressionado contra a pedra fria. Os joelhos dele abriram as pernas dela, as mãos calejadas agarrando as ancas magras. A ponta do pau roçou a entrada da buceta molhada — e entrou de uma vez. Ela gritou. Um som agudo e incontrolável que ricocheteou nas paredes. Ele estocou num ritmo brutal, sem pausa, o som de carne batendo contra carne enchendo o ambiente. A buceta apertava-se ao redor do pau, os líquidos dela escorrendo pelas coxas e pingando na pedra.
Os dedos dele alcançaram o clitóris e esfregaram com pressão feroz, círculos duros que arrancavam gemidos cada vez mais altos. — Diz — a voz dele era um rosnado contra a orelha dela. — Diz que vives para isto. Ela soluçou, o corpo inteiro a tremer. — Vivo... vivo para os teus gozos. O orgasmo atravessou-a como uma lâmina. A buceta contraiu-se em espasmos ao redor do pau, o grito agudo rasgando-lhe a garganta. Ele grunhiu alto, estocando até o fundo, e gozou dentro dela. O sêmen quente transbordou, escorrendo pelas dobras da vulva até o chão de pedra, onde as correntes quebradas jaziam.
O corpo tremia ainda. Pequenos espasmos percorriam as coxas magras, os músculos exaustos que não respondiam mais a comando algum. A Mártir permanecia de bruços sobre a pedra fria, a respiração um fio irregular que arranhava a garganta. O sêmen escorria de dentro dela — quente no primeiro instante, depois morno, depois apenas úmido enquanto descia pela dobra da vulva e pingava no chão. Sentia-o escorrer e não fazia nada para o conter. As pernas abertas, os joelhos dormentes contra a pedra, a buceta ainda latejando no ritmo das estocadas que já tinham cessado.
O Algoz ajoelhou-se ao lado dela. A respiração dele, ainda audível, recuperava o controle — inspirações longas, expirações medidas. As mãos calejadas tocaram os ombros dela e viraram-na de costas para o chão. Os quadris doeram contra a pedra fria, as omoplatas pressionadas contra a superfície dura. Ela deixou-se virar, os braços moles, as pernas abertas. Os olhos fundos encontraram os dele — aquele olhar fixo que não pestanejava, que a observava como se lesse cada pensamento sujo que ela jamais ousara confessar.
Os dedos dele desceram pelo ventre dela. Recolheram o sêmen que ainda escorria da buceta — a ponta dos dedos roçando os lábios inchados, recolhendo o líquido branco e espesso — e espalharam-no sobre a pele do ventre magro. Círculos lentos. A marca dele sobre ela. O cheiro dos dois corpos misturados subia da pele quente.
A Mártir agarrou o pulso dele. Os dedos magros apertaram com a força que ainda lhe restava, os nós dos dedos brancos contra a pele morena do Algoz. Puxou a mão dele para baixo, contra o ventre, mantendo-a ali. O olhar rendido fixou-se no dele.
— Não quero mais sair daqui — a voz saiu rouca, as palavras entrecortadas pelo cansaço. — Não quero mais sair deste inferno.
Ele não respondeu. Os olhos não pestanejaram. Inclinou-se sobre ela e pousou os lábios na testa suada — um beijo seco, silencioso, definitivo. As correntes quebradas jaziam ao lado deles, e ela sabia que jamais as recolheria do chão.
❦
Cléia Fialho

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