És o relâmpago que rasga o horizonte antes do estrondo,
a onda gigante que se ergue, imensa,
e desaba sem pedir trégua sobre o meu peito.
Não há abrigo na minha praia,
não há contenção no meu fundo:
deixo que tua água salgada e faminta
afogue qualquer vestígio de juízo.
Morde-se o ar na iminência do toque,
a pele vira brasa antes do contato,
e quando o teu peso finalmente me alcança,
o mar inteiro pega fogo.
Teus dedos gravam mapas no meu corpo,
linhas vermelhas de pura entrega,
enquanto a maré nos puxa para o fundo,
onde o fôlego acaba e a razão se dissolve.
Vem como a tempestade que devasta e reina.
Arrasta-me, envolve-me, consome-me.
Sé a minha perdição mais bonita.
Desagua em mim até não sobrar mais nada.
