Correnteza que invade meu corpo,
Forte, impetuosa, livre e selvagem,
Margens que me envolvem em desejo,
Num abraço que nunca se apaga.
Tu, rio voraz, que não conhece pausa,
Enche minh'alma de delírios e chamas,
Sou mar profundo que te espera,
Na vastidão onde o desejo se inflama.
Mar que guarda o gosto doce e salgado,
Tu és doçura, eu sou sal ardente,
Misturamo-nos, entrelaçados,
Invadindo mares, partilhando tormentos.
Tu, corrente que se perde em mim,
És mais que água, és fogo e tempestade,
Vem, revolto e bravio,
Traga ondas de paixão e ternura.
Deságua em mim,
Sem medo, sem fim.
