Não te deixo dormir nesta noite cega,
Tenho fome e sede que a carne devora,
Viro-me de bruços, a boca que chega,
Ergo as ancas em gesto que tudo implora.
Vem meu vício, a sede que em mim se acende,
E derramo-te em mim, gozo sem censura,
Deixo-te em mim a marca que ainda se estende.
Tomo-te de novo com força de fera,
Inundo-te em mim, gozo que se tranca,
Deixo-te marcada na pele severa.
Grito no leito e a carne se arranca,
E a noite nos leva onde a carne se encerra,
Nosso reino de lama onde o prazer se lança.
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Cléia Fialho
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