Arranco-te a camisa, botão a botão, com vagar,
desço a minha boca faminta pelo teu pescoço em brasa,
sinto o teu ventre firme sob a mão a inquietar,
e a minha saia sobe, molhada, como quem se abrasa.
provo a saudade guardada em teu pulsar de fogo,
colho teu gemido rouco, teu tremor teu vazio,
enquanto a tua coxa arde e nós dois entramos no jogo.
Não te deixo descansar
— nem hoje, nem já, nem depois —
tenho sede represada de dias, semanas, meses,
viro-me de bruços, ofereço-te o que amanhece em nós.
Ergo as ancas, entrego-me à tua fome que se acede,
empurras, mordes, marcas, derramas-te em mim veloz,
e o teu gozo por dentro é o selo com que a noite se despede.
❦
Cléia Fialho

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