Entre os lençóis desfeitos — território de guerra e sede —,
os dedos entram onde o fôlego acaba.
Não há versos doces aqui,
apenas o suor colado à pele como uma promessa,
o som abafado dos dentes cravados no ombro,
o tranco seco da cintura que acerta o prumo da noite.
Minhas unhas cavam teu dorso
como quem busca o fundo da terra,
e você me puxa pelo cabelo,
feroz,
ignorando a trégua que o mundo tenta impor lá fora.
Somos dentes, saliva, urgência crua.
Respiração curta,
batimento descompassado que ecoa nas costelas.
As roupas rasgadas no assoalho são o menor dos pecados.
O que sobra é o incêndio:
corpos que se encaixam no limite do gozo,
uma vertigem visceral que arranca o ar dos pulmões
e nos deixa estendidos,
suados,
vencidos pelo próprio fogo.

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