sobre a superfície escura e infinita da noite,
onde a água morna não oculta nada,
mas duplica a arquitetura exata da pele.
Há linhas líquidas de luz que contornam
e desenham relevos e curvas na sombra,
revelando um rastro latente de calor
que o silêncio do quarto insiste em guardar.
Olhos atentos acompanham a ondulação precisa
que nasce do próprio abdômen,
enquanto a respiração suspensa
dita o compasso arfante de cada nova onda.
Não existe qualquer pressa no trajeto
dos dedos que tateiam a própria memória,
fazendo com que a nudez exposta
se converta no mais safado e antigo segredo.
A pele inteira estremece e vibra
sob o magnetismo desse reflexo que flui,
completamente livre de amarras,
entregue à umidade e à intensidade da carne.
É o momento exato em que o desejo acumulado
transborda e se materializa,
fazendo a poesia acontecer no espaço exíguo
entre a imagem espelhada e o toque.

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❦ OBRIGADA PELA SUA PRESENÇA NA MINHA TOCA
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