TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia









segunda-feira, 13 de julho de 2015

CHEIRO DO HOMEM – GOSTO DA MULHER


Braços que não abraçam – rasgam.  
Bocas que não murmuram – devoram.  
O amor aqui não tem sílabas doces,  
tem dentes, tem unhas, tem saliva e fome.  

Os lençóis não são macios – são trevas que ardem,  
travesseiros não flutuam – afogam gemidos,  
roupas não caem – são arrancadas em tiras,  
e os amantes não se dão – se invadem, se roubam, se perdem.  

É unha no osso, é gozo que raspa,  
é língua que escreve na carne vermelha  
um idioma sem Deus, sem pudor, sem fronteira –  
onde o corpo é selva e o sexo, fogueira.  

O suor escorre como rio de lava,  
os quadris desenham ciclones no escuro,  
e o ar que falta é o que sobra no grito –  
porque amar assim é morrer no futuro.  

Não há poesia – há espasmo, há víscera,  
há o som do molhado colidindo com o seco,  
há o cheiro do homem, o gosto da mulher,  
e o mundo lá fora – que importa? – é um eco.  

Vem, que o amor é ferida aberta,  
é dorso arqueado, é nuca mordida,  
é gozo que estilhaça a noite discreta –  
e nos deixa nus, vivos, à beira da vida.




  Cléia Fialho


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