Bocas que não murmuram – devoram.
O amor aqui não tem sílabas doces,
tem dentes, tem unhas, tem saliva e fome.
Os lençóis não são macios – são trevas que ardem,
travesseiros não flutuam – afogam gemidos,
roupas não caem – são arrancadas em tiras,
e os amantes não se dão – se invadem, se roubam, se perdem.
É unha no osso, é gozo que raspa,
é língua que escreve na carne vermelha
um idioma sem Deus, sem pudor, sem fronteira –
onde o corpo é selva e o sexo, fogueira.
O suor escorre como rio de lava,
os quadris desenham ciclones no escuro,
e o ar que falta é o que sobra no grito –
porque amar assim é morrer no futuro.
Não há poesia – há espasmo, há víscera,
há o som do molhado colidindo com o seco,
há o cheiro do homem, o gosto da mulher,
e o mundo lá fora – que importa? – é um eco.
Vem, que o amor é ferida aberta,
é dorso arqueado, é nuca mordida,
é gozo que estilhaça a noite discreta –
e nos deixa nus, vivos, à beira da vida.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
❦ OBRIGADA PELA SUA PRESENÇA NA MINHA TOCA
❦ É SEMPRE MUITO BOM TER VOCÊ AQUI
❦ COMENTE! EU SUPER AMO!
❦ VOLTE SEMPRE!
AFAGOS POÉTICOS EM SEU 💗
💋 DA 🐾