Algo em mim se abriria como manhã antiga
se em segredo, minha mão encostasse na tua.
Haveria ternura no gesto,
e um silêncio inteiro aprenderia a falar.
Teu pensamento descansaria no meu toque,
como quem encontra abrigo sem procurar.
Dentro das palavras, nasceria um jardim,
e no peito, um abraço feito de permanência.
Se num instante leve,
minha boca encontrasse a tua,
o ar mudaria de forma.
Tudo ao redor se tornaria delicado e suspenso,
como se a noite acendesse asas invisíveis.
Nos olhos, um calor novo despertaria,
lento, profundo, incontido.
E entre nós cresceria uma presença intensa,
dessas que transformam o instante
em memória viva.
