Não há palavras aqui, apenas o peso
do ar que prende a respiração,
um fio invisível
que nos une pela pele,
pelo suor frio
que escorre como orvalho da manhã.
Teu olhar é uma lâmina
que desce devagar,
cortando o tempo,
o espaço, o "eu" e o "tu".
Só resta o agora,
ardente, denso,
quente como brasas
enterradas na areia.
Minha mão busca a curva
que conhece melhor que a memória,
desenha mapas secretos
no teu ombro, no pescoço,
na garganta que geme
antes mesmo do som.
É fome que não se sacia,
é sede que bebia o mar.
Cada toque é uma promessa
que o corpo faz à alma,
desatando nós antigos,
libertando animais dorminhocos
que rosnam de prazer.
Não importa a noite,
nem a luz que invade
através das cortinas rasgadas.
Somos fogo e cinza,
somos o instante
que se repete eternamente,
um ciclo sem fim
de carne e desejo,
onde o amor não é dito,
mas sentido,
profundo,
devorador.

Um comentário:
en el extremo goce del placer las palabras sobran, pues en el idioma del sexo incombustible sólo existen sonidos guturales e ininteligibles, gemidos y bramidos hasta el último movimiento donde los amantes quedan desfallecidos de tanto dar y recibir.
un abrazo.
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