Toda noite ela espera, nua de relógio,
o toque das doze.
Sabe que ele vem.
Sem chave, sem barulho.
Só com a voz.
Ele não a toca com a mão,
a toca com a palavra.
E a palavra escorre,
lenta,
pelo pescoço,
desce,
arrepiando cada esquina esquecida do corpo dela.
Ela morde o lábio.
O coração descompassado.
Rendida.
Ela se abre,
não de pernas,
de alma.
De fome.
Porque não é o que ele diz,
é onde ele diz.
Entra por dentro,
fundo,
onde nenhum outro homem soube chegar.
E quando ele cala,
ela já não é mais a mulher do dia.
É só pele acordada,
sonhando molhada.

3 comentários:
Melancólico poema. Te mando un beso.
En todas facetas de nuestra vida en mas de una ocasión los sueños han formado parte de ella y la del amor no va ser menos.
Dentro de ese ultimo tipos de sueños fueron inspiración para este bonito poema.
Saludos.
un momento íntimo e intenso hasta la consecución del placer.
un beso.
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muchas gracias por habilitar la bandeja de comentarios.
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