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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
FIM DE TARDE IINESQUECÍVEL
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
O ENCONTRO DE FOGO
Ela sabia que ele viria antes dele bater à porta. Era uma certeza que nascia no fundo da barriga, quente e líquida, como o mel que escorre devagar por uma colher. Ela vestira a saia branca — sem nada por baixo — e o batom vermelho que ele dizia ser a cor do pecado. Não se arrependia de nada. Não qu…
domingo, 15 de fevereiro de 2015
O ÚLTIMO ANDAR
A porta se fechou com um estalo seco. Ela parou no centro do quarto, os olhos castanhos percorrendo a cama desfeita, a luz dourada do abajur escorrendo pelos lençóis como mel. Ele deu um passo. Ela recuou um, as costas quase tocando a parede. Ele parou, encostou na porta, as mãos grandes e imóveis …
sábado, 14 de fevereiro de 2015
ELA DOMINA E ELE OBEDECE
A SENHORA Ele entrou de joelhos. Não fora obrigado, não fora pedido. Foi instinto. Ao vê-la sentada na poltrona, a perna cruzada sobre a outra, a saia preta subida até ao meio da coxa, o batom vermelho como uma ferida aberta, ele soube que o lugar dele era ali — no chão, aos pés dela, à espera. Ela n…
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
SETE DA MANHÃ
O relógio marcava pouco mais das sete. Da manhã. Acabara de sair do banho — porque não há melhor despertar do que uma ducha gelada que sacode o corpo e a alma — quando o som da campainha ecoou pela casa. Estranhei. Muito. Quem bateria à porta tão cedo? Uma entrega? Engano? Visita? Fui atender. Era ele.…
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
DANÇA PARA DOIS
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
O ATO NO ESCURO
Os dias se arrastam num ciclo vicioso de gritos e silêncios. Quando não estamos berrando um com o outro, simplesmente nos ignoramos. É exaustivo. É desgastante. Não é vida para ninguém. Mas ontem... Ontem foi diferente. Também tivemos nossas discussões, nossas raivas, nossas explosões por motivos que …
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
TERRAÇO DOS SUSSURROS
Ela encostou os quadris no parapeito frio do terraço e deixou o calor da noite de verão grudar o vestido nas costas. A luz dos postes e dos abajures espalhados pelo piso de cerâmica não deixava um centímetro de sombra — cada fio de cabelo solto brilhava, cada gota de suor entre as omoplatas cintila…
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
A VOLTA DOS LOBOS
A DONA DA CAÇA Ela levantou-se da cama devagar. Os três homens ainda ofegavam, espalhados pelo colchão como animais saciados mas ainda desconfiados. O esperma escorria-lhe pela barriga, pelos seios, pelas coxas. O suor brilhava na sua pele como uma armadura líquida. Mas os olhos dela não estavam cans…
domingo, 8 de fevereiro de 2015
A ÚLTIMA VEZ QUE ELA DISSE NÃO
O quarto era escuro, mas não vazio. A luz do poste lá fora entrava pelas frestas da persiana, desenhando listras de sombra e claridade no corpo nu que se movia sobre o colchão. Ela estava de bruços, os braços estendidos, os dedos a arranharem o lençol como se tentasse agarrar-se a algo que já não e…
sábado, 7 de fevereiro de 2015
A FOME DO MEL
As mãos dele encontraram a nuca dela antes de qualquer palavra. Agarraram o cabelo escuro e revolto, os dedos enroscando-se nas raízes, e puxaram. A boca dele colidiu com a dela num impacto duro, sem hesitação, como se a pausa dos segundos anteriores tivesse sido uma traição à fome que o consumia. …