Cada mergulho meu é trovão no teu silêncio,
Cada osso teu ruge enquanto eu avanço,
No teu gemido rouco eu desenho,
O hino da tua pele em transe.
Marco teu ventre com selo de fogo,
E ficas
— santuário profanado
— na cama que sentencia.
A carne não pede
— a carne exige,
Nossos ossos rangem em coro de guerra,
Teu suor é sal, meu nome é ferida,
E a noite sangra na nossa fronteira.
Não há ternura onde há voracidade,
Só o estalo da pele, o ruído da queda,
Eu te desmonto em pura saciedade,
E tu me reconstróis na manhã que nada espera.
❦
Cléia Fialho

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