Tu estás no limite
— a respiração cortada, os dedos molhados
e eu sussurro:
— "não gozes"
— "porquê?"
— "porque quero ver-te aguentar"
"quero ver o teu corpo lutar contra o que ele mais quer"
Tu fechas os olhos e tentas parar
— mas o teu dedo continua, quase sozinho
e eu vejo o gozo a querer escapar.
— "respira"
— "pensa em mim"
— "não te deixas ir"
Tu seguras, com o corpo a tremer
e eu vejo as lágrimas nos teus olhos
não de tristeza — de desejo não cumprido
que é também uma forma de prazer.
— "aguenta mais um pouco"
— "aguenta, que depois eu deixo-te ir"
— "mas só quando eu disser"
Tu seguras, minha fera
porque eu pedi
porque tu és minha
porque o gozo adiado
é o mais doce.
❦
Cléia Fialho

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