A tranca mal cedeu e o metal ainda vibra,
mas o tempo que nos separava já foi pulverizado.
Antes mesmo que o mundo lá fora se apague por completo,
meu corpo choca o teu contra a alvenaria fria,
Não há espaço para saudações ou falsas doçuras.
Minha boca invade a tua com a violência dos desesperados,
uma voracidade animal que ignora qualquer pudor.
Prendo teus pulsos acima da cabeça,
sentindo o pulso acelerado da tua rendição imediata,
enquanto nossas línguas travam um duelo cego de saliva e febre.
A parede testemunha o atrito bruto das nossas roupas,
o tecido que agora nos estorva e que rasgo sem paciência.
Quero a tua pele nua colada ao meu peito em chamas,
quero o calor sufocante que guardaste nesses meses de ausência.
Minhas mãos descem possessivas pelos teus flancos,
cravando os dedos na carne, moldando o teu contorno,
guiando o teu quadril de encontro ao meu espasmo.
Esquecemos como se respira devagar.
O corredor se transforma em um matadouro de saudades,
onde sacrificamos a distância em nome do instinto mais puro.
Tua boca devolve a mordida, o gemido arranha o escuro,
e cada centímetro que nos une agora pulsa,
selvagem, visceral,
como se o mundo dependesse do nosso colapso.
❦
Cléia Fialho

.png)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
🐾 OBRIGADA PELA SUA PRESENÇA
🐾 É SEMPRE MUITO BOM TER VOCÊ AQUI
🐾 FIQUE À VONTADE PARA COMENTAR OU FAZER UMA INTERAÇÃO NAS POESIAS
🐾 SERÁ UM IMENSO PRAZER COLOCÁ-LA JUNTO À MINHA
🐾 VOLTE SEMPRE!
AFAGOS POÉTICOS EM SEU 💗
🐾