Eu desço de joelhos e a minha boca já sabe o caminho
A minha língua desenha o teu contorno antes de te tocar
Sinto o teu calor antes do teu gosto
e a minha mão sobe pela tua coxa enquanto a minha boca te encontra.
e eu bebo-te como quem morre de sede há dias.
Cada movimento meu é uma pergunta que o teu corpo responde
cada pausa minha é um pedido que tu atendes sem palavras.
Eu enrolo a minha língua em ti como quem prende um fio de seda
e tu apertas a minha cabeça como quem diz "não pares".
Eu não paro — quero sentir-te tremer na minha boca
quero que o teu gosto seja o único sabor que eu lembre esta noite.
Tu és a fruta que eu parto com os dentes
o mel que escorre e eu lambo devagar
a água que eu bebo e que me molha por dentro.
Enquanto a minha boca te chupa, os meus dedos te procuram
e eu te encontro sempre molhada, sempre quente, sempre minha.
❦
Cléia Fialho

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