Atração chega primeiro.
Sem avisar.
É o corpo que vira sozinho quando a pessoa passa.
É o detalhe bobo que fica preso:
Atração não explica.
Ela só aponta e diz: "olha".
É faísca.
É curiosidade com batimento acelerado.
É querer saber o nome, a história, o que essa pessoa toma no café da manhã.
Desejo vem depois e senta no peito.
Ele não pergunta se pode.
Ele arde.
É vontade de perto.
De voz baixa, de pele, de tempo que não acaba.
Desejo é imaginação que cria cenário no escuro.
É mensagem apagada e reescrita.
É o corpo lembrando de um toque que nem aconteceu ainda.
Ele tira o sono e dá motivo pra sorrir sozinha.
Desejo lembra que a gente está viva.
Que a gente quer, que a gente sente, que a gente ousa.
E então vem a Paixão.
E paixão não faz conta.
Ela atropela.
É acordar pensando e dormir inventando futuro.
É o mundo ficar mais colorido porque aquela pessoa existe nele.
Paixão é intensidade.
É rir demais, sentir demais, esperar demais.
É transformar um "oi" em acontecimento.
É ter coragem de se entregar sabendo que pode doer,
mas escolhendo doer de verdade em vez de viver pela metade.
Atração acende.
Desejo queima.
Paixão decide ficar mesmo com medo do fogo.
E quando os três se encontram,
vira isso aqui:
um coração que não cabe no peito,
um nome que vira mantra,
e a sensação gostosa e perigosa
de que, por alguns dias,
nada no mundo importa
mais do que a chance de estar perto.
❦
Cléia Fialho

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