Quando a claridade da aurora rasgar as frestas da janela,
encontraremos nossos corpos ainda presos um ao outro,
a pele colada pelo suor, as coxas entrelaçadas,
o peito subindo e descendo no mesmo ritmo cansado e saciado.
Não indagues sobre o tempo que se perdeu.
Ele se desfez no calor que ainda lateja entre nós,
no peso do teu corpo sobre o meu,
na umidade quente que escorre devagar
pela curva da minha cintura.
Toda a distância que nos separou
foi esmagada debaixo dos joelhos,
no chão do quarto que ouviu cada suspiro,
cada tremor, cada gemido abafado contra a pele.
Sinto ainda o eco do teu embalo dentro de mim,
a marca dos teus dedos na minha carne,
o gosto salgado da tua boca que não se desgrudou da minha
até o último espasmo nos deixar sem voz.
Não há passado que importe
quando o corpo ainda pulsa com a memória do prazer,
quando o ventre ainda treme em ondas lentas,
quando a alma está completamente tomada
por esse vazio doce e pesado que
só o teu corpo consegue preencher.
Tudo o que fomos e o que deixamos de ser
cabe neste instante molhado e quente,
neste silêncio suado em que só existe
o latejar surdo e irrevogável
dos nossos corpos ainda unidos.

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❦ OBRIGADA PELA SUA PRESENÇA NA MINHA TOCA
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