Tu me tomas inteira, lenta, como quem reza,
tua boca aprende o caminho da minha pele,
não é bebida, é febre, é acesa,
é o mel salgado que só em mim se revela.
Escorre de mim um rio morno e escuro,
que mancha o lençol, que inunda a madrugada,
tu mergulhas nele, cego, inseguro,
e cada carícia tua me cala.
Tu me provas até eu esquecer meu nome,
até a sede virar fome,
até minha coxa tremer na tua nuca
e meu gemido rasgar rouco.
Corre de mim um luar líquido,
que vem desaguar no teu peito aberto,
meus segredos se abrem, úmidos,
e tu bebes todos, um por um, por perto.
Não é gole, é mordida, é entrega,
é dente, é língua, é mão que não sossega,
quero que me esgotes gota a gota,
até amanhecer molhada e louca.

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