a minha gruta morna a enrolar-te como maré que tece a praia,
e tu mergulhas em mim com a cadência de quem já me conhece de dentro.
A minha manteiga doce desprende-se em silêncio,
escorre-te até ao fundo das raízes do desejo,
e sei que a sentes correr, quente, lenta, cúmplice,
enquanto não deixas de me percorrer por dentro.
Cravo-te as unhas na pele como quem assina um pacto,
sinto o teu pulso crescer, pronto a transbordar,
e as tuas mãos encontram caminhos que a vergonha nunca descobriu,
dedos atrevidos a pedirem licença onde a licença já foi dada.
Respondo-te com um jorro quente da minha própria colheita,
levo-te à boca o meu néctar morno de amora madura
enquanto me enches até ao limite da taça,
a tua colheita a transbordar na pequena concha dos meus lábios.
Perdoa a liberdade que tomei de trazer o teu verso para o meu colo —
foi isto que escrevi enquanto brincava com a tua fonte adormecida,
foram as tuas palavras que me empurraram para este pecado doce,
e a prova fica aqui, assinada em suspiros:
conseguiste, mais uma vez, desmanchar-me inteira.

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