TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia






sexta-feira, 3 de julho de 2015

RÉDEA E RENDIÇÃO


Abro-me devagar, mostro-te o que já é teu,
este centro inchado, molhado, a tremer,
que estremece só de sentir o teu olhar,
e sei — vais tomar-me até eu perder o rumo de mim.

Vais tomar-me até eu perder o rumo de mim,
entrando sem clemência, até ao fundo da minha noite,
até me arrancares um grito rouco, rendido,
enquanto a tua boca me prende os picos acordados.

Enquanto a tua boca me prende os picos acordados,
os teus dedos atravessam a minha carne quente,
sinto o meu mel a correr pelas coxas,
e tu voltas-me, firme, de joelhos, inteira para ti.

Voltas-me, firme, de joelhos, inteira para ti,
agarras-me os cabelos como rédea certa,
empurras-me fundo até eu tremer dos pés à nuca,
e eu entrego-te tudo —
o último gemido, a última gota, o último fio de juízo.




  Cléia Fialho


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