que aquece sem queimar de imediato.
Ele me percorre devagar,
como luz atravessando cortina fina,
e o corpo já responde
antes mesmo do primeiro toque.
Tua voz, quando baixa,
é tecido quente sobre a pele.
Cada palavra desliza,
deixa rastros de calor no pescoço,
na curva da orelha,
no lugar onde o ar fica mais denso.
Teu cheiro chega primeiro que as mãos.
Mistura de pele, sabonete e noite.
Ele se instala no fundo da garganta
e me faz respirar mais fundo,
como quem tenta guardar
o que não quer perder.
Quando enfim me tocas,
os dedos são água morna
correndo pela pele sedenta.
Não apertam: reconhecem.
Mapeiam a linha da cintura,
a curva do quadril,
o trecho sensível atrás do joelho
que faz o corpo inteiro escutar.
Tua boca é fruto maduro.
O gosto se espalha lento,
mistura-se ao meu,
e o beijo vira linguagem
que não precisa de tradução.
É úmido, quente,
cheio de promessas
que o corpo já começa a pagar.
O silêncio entre um gesto e outro
também é sensorial.
Ele vibra.
Ele pesa.
Ele me deixa à espera
do próximo contato
como a pele à espera da chuva
depois de dias de sol.
E quando tudo se junta —
olho, voz, cheiro, toque, gosto —
eu me dissolvo na metáfora maior:
a de ser inteiramente sentida,
e de sentir-te
sem precisar de mais nenhuma palavra.

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❦ OBRIGADA PELA SUA PRESENÇA NA MINHA TOCA
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