que nossos olhares se cruzaram.
Não foi só o olhar —
foi um reconhecimento antigo,
um chamado silencioso
que o corpo entendeu antes da mente.
Os desejos se entrelaçaram
como fios quentes no ar da noite.
Nossos corpos se aproximaram
sem pressa e sem dúvida,
guiados por uma urgência doce
que não precisava de palavras.
Beijos demorados abriram caminho.
O toque se tornou linguagem.
No vaivém dos corpos
o prazer foi se construindo
lento, profundo, inevitável.
Gemidos baixos se encontraram
no mesmo ritmo.
A paixão se mostrou ardente
na forma como nos segurávamos,
na forma como o tempo desaparecia
entre a pele e o suor.
Tu me puxas para mais perto.
Me dizes, sem dizer,
que queres me ver por inteira.
Eu me entrego ao movimento,
aos teus braços firmes,
ao calor que cresce entre nós
até quase doer de tão bom.
A tensão sobe.
O corpo pede mais.
O olhar se mantém preso
enquanto o prazer se acumula,
quente, insistente,
prestes a transbordar.
E quando o ápice chega,
chega junto o mesmo tremor.
O silêncio depois.
O abandono doce
que nos deixa ainda colados,
respirando o mesmo ar,
ainda um pouco longe do mundo.
Depois, só o luar continua.
E nós, mais leves,
mais juntos,
ainda sentindo o eco
do que acabamos de viver.

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