TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia









terça-feira, 8 de setembro de 2015

NO LUAR QUE NOS ENCONTROU


O luar não era luz.  
Era pele fria de prata  
tocando a nossa pela janela.

Quando os olhares se cruzaram,  
senti o teu dentro do meu  
como alguém que reconhece  
o gosto da água depois de dias sem beber.

O desejo chegou primeiro pelo olfato.  
Teu cheiro se misturou ao meu  
e o ar ficou mais denso,  
quase mastigável,  
cheio de uma doçura quente  
que a boca já queria provar.

Os beijos não foram beijos.  
Foram portas úmidas se abrindo.  
Tua língua trouxe gosto de noite  
e de algo mais antigo,  
algo que o corpo reconheceu  
antes da memória.

Tuas mãos não tocaram:  
elas leram.  
Cada dedo era uma pergunta quente  
feita diretamente na pele.  
Onde passavam, deixavam  
um rastro de febre baixa  
e de sede.

O atrito dos corpos  
virou um instrumento de percussão macia.  
O suor não escorria:  
brilhavava,  
como se a pele tivesse aprendido  
a suar luz.

Quando o prazer subiu,  
subiu como maré quente  
pelo lado de dentro das coxas,  
pelo ventre,  
pelo peito,  
até encher a garganta  
e virar som.

Depois ficamos quietos.  
Ainda colados.  
Ainda escutando  
o eco molhado  
do que os corpos tinham acabado de dizer.




  Cléia Fialho


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