Era pele fria de prata
tocando a nossa pela janela.
Quando os olhares se cruzaram,
senti o teu dentro do meu
como alguém que reconhece
o gosto da água depois de dias sem beber.
O desejo chegou primeiro pelo olfato.
Teu cheiro se misturou ao meu
e o ar ficou mais denso,
quase mastigável,
cheio de uma doçura quente
que a boca já queria provar.
Os beijos não foram beijos.
Foram portas úmidas se abrindo.
Tua língua trouxe gosto de noite
e de algo mais antigo,
algo que o corpo reconheceu
antes da memória.
Tuas mãos não tocaram:
elas leram.
Cada dedo era uma pergunta quente
feita diretamente na pele.
Onde passavam, deixavam
um rastro de febre baixa
e de sede.
O atrito dos corpos
virou um instrumento de percussão macia.
O suor não escorria:
brilhavava,
como se a pele tivesse aprendido
a suar luz.
Quando o prazer subiu,
subiu como maré quente
pelo lado de dentro das coxas,
pelo ventre,
pelo peito,
até encher a garganta
e virar som.
Depois ficamos quietos.
Ainda colados.
Ainda escutando
o eco molhado
do que os corpos tinham acabado de dizer.

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