TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia









quarta-feira, 30 de setembro de 2015

QUANDO ÉRAMOS CHAMA NOVA


Éramos jovens, de miolos à solta e corpos sem freio,
tu descias por mim como quem lê um livro proibido,
a boca atenta a cada vírgula da minha pele,
e eu, aberta como terra morna à chuva de verão,
não acreditava que a sorte me tivesse escolhido.

O desejo por ti era uma febre antiga,
inventava-me cenários que a vergonha calava —
o banco de trás do carro ao fim da tarde,
uma praia que já não era deserta
mas onde a maré apagou o nosso rastro.

Trabalhava-te devagar com mãos de contrabando,
guardava-te quente, convidado, dentro do meu segredo,
e tu entravas em mim como se chegasses a casa,
sempre a casa, sempre a mesma festa escondida.

Foste o melhor amante que o meu corpo conheceu —
não só pelo gesto, mas pela pergunta nos olhos,
pela forma como procuravas o meu prazer
antes mesmo de pensares no teu.

Era este o nosso jogo, de ida e volta sem placar:
eu dava-te tudo para me saciar em ti,
tu davas-me tudo para me ter de volta,
e nenhum de nós duvidou, nem por um verso,
que o outro voltaria sempre a tentar.




  Cléia Fialho


Nenhum comentário:

Postar um comentário

❦ OBRIGADA PELA SUA PRESENÇA NA MINHA TOCA
❦ É SEMPRE MUITO BOM TER VOCÊ AQUI

❦ COMENTE! EU SUPER AMO!
❦ VOLTE SEMPRE!

AFAGOS POÉTICOS EM SEU 💗
💋 DA 🐾