tu descias por mim como quem lê um livro proibido,
a boca atenta a cada vírgula da minha pele,
e eu, aberta como terra morna à chuva de verão,
não acreditava que a sorte me tivesse escolhido.
O desejo por ti era uma febre antiga,
inventava-me cenários que a vergonha calava —
o banco de trás do carro ao fim da tarde,
uma praia que já não era deserta
mas onde a maré apagou o nosso rastro.
Trabalhava-te devagar com mãos de contrabando,
guardava-te quente, convidado, dentro do meu segredo,
e tu entravas em mim como se chegasses a casa,
sempre a casa, sempre a mesma festa escondida.
Foste o melhor amante que o meu corpo conheceu —
não só pelo gesto, mas pela pergunta nos olhos,
pela forma como procuravas o meu prazer
antes mesmo de pensares no teu.
Era este o nosso jogo, de ida e volta sem placar:
eu dava-te tudo para me saciar em ti,
tu davas-me tudo para me ter de volta,
e nenhum de nós duvidou, nem por um verso,
que o outro voltaria sempre a tentar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
❦ OBRIGADA PELA SUA PRESENÇA NA MINHA TOCA
❦ É SEMPRE MUITO BOM TER VOCÊ AQUI
❦ COMENTE! EU SUPER AMO!
❦ VOLTE SEMPRE!
AFAGOS POÉTICOS EM SEU 💗
💋 DA 🐾