Te guardo em meu silêncio
deleito-me no feitiço da paixão
que se derrama em orvalhos de suor
sobre a minha pele abrasante
redigidos com o depósito do seu prazer
repousantes em meu corpo.
Teu nome arde em meus lábios
como vinho denso em noite febril,
e meu desejo percorre os lençóis
na ânsia morna do teu toque.
Há brasas vivas entre minhas coxas
quando tua lembrança me atravessa,
feito língua de fogo indomável
despindo minhas últimas defesas.
E eu me entrego à fome dos instantes,
ao delírio úmido da tua boca,
que desenha pecados lentos
na curva trêmula da minha entrega.
Te sinto ainda em minhas entranhas,
latejando em suspiros incontidos,
como se teu prazer permanecesse
aninhado em mim... ardendo infinito.
❦
Cléia Fialho


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