No ápice tão profundo,
Te chamo ainda, meu poeta,
Meu corpo pende no mundo,
Vendo estrelas, tão completa.
Você me ligou um dia,
Disse doce: sou tua poesia,
Tua voz no meu ouvido tão mansa,
Parecia um anjo atrevido,
Me deixou toda em ânsia,
Me perdi no teu gemido.
Cheguei de mansinho te olhando,
Teu corpo negro, raro esplendor,
Fui cada pedacinho beijando,
Um convite ao nosso amor.
Na toca perfumada e quente,
Qual filme banhado de luar,
Teu beijo me fez tão contente,
Me fez alto trinar.
Depois te beijei por inteira,
Sem pressa, com devoção,
Você toda faceira,
Implorando invasão.
Você me invediu devagarinho,
Centímetro por carinho,
Teu olhar com brilho tinha,
Meu corpo no teu caminho.
Você urrou de deleite,
Arranhou minhas costas,
Eu cavalguei feito ginete,
Sabendo bem do que gostas.

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