As roupas espalhadas pelo chão úmido de suor e urgência.
Não há paz nos meus dedos cravados na tua carne,
apenas o grito preso na garganta que rasga o silêncio.
O vento lá fora uiva,
mas o único ritmo que conheço
é o tranco seco do teu corpo contra o meu.
Abraço feroz,
dentes que marcam,
uma ânsia visceral que não pede licença para arder.
O instante não é brisa mansa;
é incêndio que devora.
Respiração curta,
saliva quente,
o gozo explodindo sem aviso nas paredes da noite.
O amanhã que se dane,
se o que nos resta é essa voragem crua
onde o meu corpo se entrega ao teu
como o mar que engole a terra sem piedade.

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