como quem colhe uvas pesadas de sol,
e desço, mulher inteira, a colina do teu ventre,
molhando a língua no vale onde o suor se acumula.
O teu gosto escorre-me pelos dentes,
desce lento, denso, quase ritual,
e eu, rendida, desenterro em cada gole
um segredo teu que levo para dentro.
O teu corpo abre-se em cachos sobre os lençóis,
e eu, faminta, colho, mastigo, engulo sem pressa,
a noite é longa e a minha sede não tem fundo —
o teu vinho é bruto, sem filtro, pura essência.
Corre-me pela garganta como brasa viva,
arde onde toca, marca onde passa,
e bebo até não restar mais nada de ti,
até seres apenas o gosto quente na minha boca.
Não quero taça, nem cerimónia,
quero a tua pele como único copo,
quero beber-te até perder o juízo —
até que o sol nos encontre assim,
nós, bêbada e bêbado de carne,
ainda colados, ainda sedentos,
e eu — ainda a sugar-te a última gota.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
❦ OBRIGADA PELA SUA PRESENÇA NA MINHA TOCA
❦ É SEMPRE MUITO BOM TER VOCÊ AQUI
❦ COMENTE! EU SUPER AMO!
❦ VOLTE SEMPRE!
AFAGOS POÉTICOS EM SEU 💗
💋 DA 🐾