Meu corpo nu espera a tua boca quente,
e a língua que devora o meu suor salgado.
A mão que aperta, a unha que mente,
o grito que é gozo — mas ainda não chegou.
a saliva a escorrer pelo meu queixo.
A tua mão na minha anca deserta,
e o teu dedo a provar o que eu guardo para ti.
O cuzinho apertado, molhado, teu,
aguarda o teu membro e a tua fúria.
Só a carne que arde e a luxúria.
Só a pele que treme quando tu tocas.
Só o som molhado dos nossos corpos
O meu gozo não é meu — é teu.
Vem buscá-lo com a boca, com os dentes,
com a língua que desenha o meu nome
no centro mais fundo e mais húmido de mim.
A puta que há em mim te quer
Ela abre as pernas e sorri.
Ela morde o travesseiro e chama
até a voz falhar e o corpo ceder.
Tu és o dono da minha entrega,
o ladrão da minha respiração,
o homem que me come
e que me deixa — cheia de ti.
Vem.
Que a noite é longa.
Que a fome é grande.
Que a puta que há em mim
já está de joelhos à tua espera.
❦
Cléia Fialho

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