Chega devagar,
como quem acende a noite com os dedos.
Tua presença derrama calor no ar,
e tudo ao redor aprende a te sentir.
feito de olhar, de fome, de promessa.
Teu corpo fala sem precisar de pressa,
e o meu responde como se já te conhecesse.
Quando te aproximas,
o mundo perde o contorno,
a respiração fica mais funda,
e a pele vira linguagem.
Quero esse instante suspenso,
essa eletricidade doce atravessando a madrugada,
essa forma tua de ser desejo e calma,
tempestade e abrigo,
febre e delicadeza.
E então eu me entrego,
sem defesa, sem medida,
como quem encontra no teu toque
o lugar exato onde o prazer começa.
❦
Cléia Fialho

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