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terça-feira, 20 de maio de 2014

ELA DOMINA E ELE OBEDECE




A SENHORA

Ele entrou de joelhos. Não fora obrigado, não fora pedido. Foi instinto. Ao vê-la sentada na poltrona, a perna cruzada sobre a outra, a saia preta subida até ao meio da coxa, o batom vermelho como uma ferida aberta, ele soube que o lugar dele era ali — no chão, aos pés dela, à espera.

Ela nem olhou para ele de imediato. Os dedos dela percorriam a borda de um copo de vinho, lentamente, como quem acaricia uma pele que conhece de cor. O silêncio era tão pesado que ele ouvia a própria respiração a tremer. Ela bebeu um gole, colocou o copo sobre a mesa, e só então desceu o olhar até ele.

— Aproxima-te — disse ela, a voz baixa e firme.

Ele rastejou até ela. As mãos apoiadas no chão, os olhos fixos nos dela. Quando chegou perto, ela inclinou-se para a frente e segurou-lhe o queixo com dois dedos. A unha vermelha roçou-lhe o lábio inferior.

— Abre a boca.

Ele obedeceu. A língua dele apareceu, húmida e exposta, como um animal que se oferece ao dono. Ela cuspiu-lhe na boca. Lentamente. A saliva escorreu-lhe pelo queixo e ele engoliu, os olhos ainda presos nos dela.

— Bom rapaz — sussurrou ela, com um sorriso que era também um chicote.

Ela levantou-se, e ele continuou de joelhos. Caminhou até à cama, sentou-se na borda e abriu as pernas. A saia subiu, a lingerie apareceu, húmida e translúcida.

— Vem cá — chamou ela, com a voz a arrastar-se.

Ele rastejou até à cama, ainda de joelhos. A boca dele encontrou a coxa dela, os lábios a beijarem a pele, a língua a deslizar até ao centro húmido. Ela não o tocou. Não lhe segurou os cabelos, não lhe guiou o movimento. Queria que ele se entregasse por vontade própria. E ele entregou-se. Cada lambida era um pedido de perdão. Cada sucção era uma promessa de submissão.

Ela deitou-se de costas, abriu as pernas e apontou para o centro.

— Quero ver-te gozar assim — disse ela — com a boca em mim.

Ele obedeceu. A língua mergulhou fundo, os dedos apertaram-lhe as nádegas, o ritmo era desesperado. Ela não gemiu. Não se mexeu. Apenas observou, os olhos semicerrados, o corpo imóvel, enquanto ele a devorava como quem morre de fome.

Quando ela finalmente chegou, o gozo foi silencioso — uma contracção profunda, um arquejar contido, uma mão que se fechou nos cabelos dele e o prendeu ali, até a última onda passar.

Ele ficou deitado no chão, a respiração ofegante, a testa encostada à cama. Ela levantou-se, ajustou a saia, pegou no copo de vinho.

— Estás despedido — disse ela, com um sorriso.

Ele olhou para ela, sem compreender.

Ela aproximou-se, inclinou-se e sussurrou-lhe ao ouvido:

— Vais ter de implorar para ficares.






Cléia Fialho

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