No chão frio do corredor, meu corpo se curva ao teu domínio.
Não há pressa, apenas a fome acumulada de dias distantes.
Devoro o teu segredo milímetro por milímetro,
arrancando da tua garganta um som rouco, abafado,
Desfaço a tua armadura de pano, rasgando o que nos separa.
Minha boca é um incêndio que desce pela tua jugular,
marcando o território da tua lucidez.
Prendo minhas mãos na firmeza do teu ventre,
enquanto suspendo o tecido que te esconde,
tateando a tua humidade selvagem,
o teu abismo inundado de desejo.
O espaço aperta e o ar se torna escasso entre nós,
enquanto minhas unhas cavam a linha da tua coluna,
desenhando um rastro de urgência na carne viva.
Tuas mãos me puxam pelos cabelos, ditando o ritmo,
um comando mudo e brutal que me faz submergir
ainda mais fundo na tua tempestade interna.
Esquecemos o mundo do outro lado da porta,
reduzidos ao atrito puro, ao calor que verte das frestas,
ao peso dos nossos peitos que colidem sem trégua.
É uma dança canibal, um pacto de sangue e saliva,
onde a delicadeza cede lugar ao instinto mais cru.
E quando a vertigem finalmente nos consome,
não sobram nomes, nem regras, nem ontem.
Apenas dois corpos naufragados no próprio suor,
presos no eco do último espasmo que nos rasgou por dentro.
❦
Cléia Fialho

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