Há noites
em que a lua parece aprender
o contorno do meu corpo.
desfaço os medos
como quem solta os cabelos
diante do vento.
Não te procuro.
Apenas deixo
que o desejo descubra o caminho.
Teu olhar me alcança
antes mesmo das tuas mãos,
e meu silêncio,
tão cheio de intenções,
desabrocha em arrepios.
Cada aproximação
é um eclipse de razão.
Cada toque,
uma centelha
que desperta constelações
sob a minha pele.
Não existe pressa.
Há somente
o compasso lento
de dois corações
inventando uma linguagem
que ninguém ensinou.
Quando tua respiração
se mistura à minha,
o mundo perde as margens.
Sou rio.
Tu és mar.
E no encontro das nossas águas,
nenhuma onda pergunta
quem pertence a quem.
Apenas seguimos,
profundos,
inteiros,
embriagados pela beleza
de um desejo
que floresce
como fogo
aprendendo a ser flor.
❦
Cléia Fialho

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