Volto para o teu raio de ação com os olhos fixos,
uma predadora que não aceita o fim do jogo.
Prendo o teu queixo com força, caço o teu ar,
prendo a tua respiração na minha como quem rouba a alma.
marcando a tua pele com a pressão exata dos meus dedos.
O silêncio do quarto é um vidro que a gente estraçalha.
Você me puxa pela cintura, um comando mudo, cego,
que me suspende acima da gravidade e do bom senso.
Não há espaço para hesitação quando
os corpos se reconhecem como perigo.
Tudo é atrito, o suor que brilha na penumbra,
a batida violenta do teu coração batendo contra as minhas costelas.
Te sinto tremer sob o domínio desse magnetismo bruto.
Eu não tenho pressa, mas tenho uma urgência que rasga.
Cravei as unhas nos teus ombros, fincando a minha bandeira,
deixando o sinal claro de que você foi invadido por completo.
O ritmo é quebrado, o fôlego é curto, a entrega é total.
Bebo da tua vertigem até te ver perder o rumo.
Olho de cima, o cabelo caindo no teu rosto,
e abro aquele sorriso lento, pesado, perigoso.
Você é meu incêndio, e eu vim para queimar até o chão.
❦
Cléia Fialho

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