Meu desejo, seis meses se estenderam como eras,
cada noite uma eternidade onde te busquei,
tocando apenas a sombra do teu corpo ausente,
imaginando teus lábios em voltas lentas e tortuosas,
Primeiro me deslizo com a lentidão da ânsia,
degusto o silêncio da espera como um vinho raro,
depois acelero, fundo, sem limites, sem freios,
me entrego inteira à voracidade do momento,
levantando os seios, oferenda crua para a tua fome.
Agarras, mordes, apertas com força e desejo,
cada toque é uma lâmina que rasga e incendeia,
meu corpo responde, arde, se curva, se rende,
o espaço entre nós desaparece, é só fogo,
a respiração vira chama, o tempo se desfaz.
Somos selvagens, urgentes, intensos,
um encontro onde o bruto se torna sublime,
onde a carne fala a língua do êxtase,
onde o prazer é um rugido vindo do fundo,
e eu me perco, inteira, nos teus dedos famintos,
no teu abraço que é tempestade e calmaria.
Aqui, no calor da tua posse,
sou inteira chama, sou tempestade viva,
e o tempo, esse tirano, se rende ao nosso instante,
porque em nós, amor, o desejo não conhece fim.
❦
Cléia Fialho

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