A minha cara enterrada no teu pescoço
e eu respiro fundo
— não há perfume que cheire assim
só tu, só o teu suor, só a tua pele depois do desejo.
como quem bebe vinho forte em jejum.
E eu mordo o teu ombro enquanto inalo tudo de ti
porque quero guardar este cheiro na memória
para o sentir quando não estiveres perto.
Tu cheiras a terra molhada depois da chuva
a sal que secou na pele
a cama desfeita
a gozo ainda quente.
Enquanto te como, respiro fundo
e cada arfar teu é um novo aroma que eu guardo.
Eu quero ficar aqui para sempre
com o nariz na tua pele
e a boca no teu peito
e as mãos abertas em ti
como quem não quer largar nunca mais.
❦
Cléia Fialho

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