E quando a manhã rasgar a noite, exaustos e saciados,
vamos ficar ali, de pernas trançadas, sem pressa de levantar,
um emaranhado de suor, de cheiro, de nós dois.
com o arranhão que virou assinatura na tua costa,
com a mordida que deixei no teu ombro pra te lembrar que és meu.
O lençol destruído, amassado, testemunha do estrago,
o quarto cheirando a sexo, a pele quente, a pecado bom,
teu peito ainda arfando sob a minha mão possessiva.
Te olho toda desfeita, cabelo bagunçado, boca inchada,
e te quero de novo, com a mesma fome selvagem da primeira vez,
porque contigo o cansaço nunca vence o desejo.
Fica.
Fica enroscada em mim,
que eu ainda tenho muito pra gravar na tua pele.
❦
Cléia Fialho

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