Chove lá fora
despenca água tal deságua
em meu peito agora...
E a noite escorre lenta
pelas vidraças da saudade,
como se o céu soubesse
o nome exato da minha dor.
Cada gota bate funda,
feito lembrança insistente
das palavras que ficaram
presas no silêncio da despedida.
O vento revolve memórias,
abre gavetas esquecidas,
traz teu perfume úmido
misturado ao cheiro da terra molhada.
E eu,
sentada à beira do tempo,
ouço o coração pingando ausências
nos cantos mais quietos da alma.
Mas há uma beleza estranha
em sobreviver às tempestades...
Porque depois do aguaceiro,
mesmo as flores feridas
aprendem novamente
a erguer o rosto para a luz.
❦
Cléia Fialho


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