No lençol revolto em que me moro,
Te chamo - vício meu, chama acesa,
Te quero todo, sem pudor, sem demora,
Boca na boca, a pele indefesa.
É sede antiga em brasa represada,
É fome que na boca se devora
E volta a si em força desdobrada.
E quando o corpo em arco te procura,
O mundo cai, o tempo se desfaz,
Sou toda impulso, toda formosura,
E me derramo em ti, profunda e inteira,
Deixando em nós a mesma marca audaz -
O gozo manso de quem persevera.
❦
Cléia Fialho
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