Eu olho teus olhos e já sei
— debaixo da saia branca não há nada
a não ser o fogo que sobe pelas tuas coxas
e eu quero descer com a boca
Tu caminhas devagar e a saia balança
e cada movimento teu é um convite
— "vem ver", diz o teu quadril
"vem provar", diz o teu olhar
Eu caio de joelhos diante de ti
não por reza — por fome
Tu abres as pernas devagar
e a saia sobe como cortina do meu espetáculo
e eu vejo tudo — vejo teu brilho
vejo teu cheiro subindo igual fumaça
Tu és minha dona e eu sou teu macho
— não de posse, de entrega
Tu seguras minha cabeça e me puxas
e eu te bebo como quem morre de sede
porque é disso que eu preciso:
do teu gosto, do teu calor, da tua mão no meu cabelo
Tu gemes alto e a saia branca amassa nos meus dedos
enquanto eu te devoro com a boca inteira
— língua, dentes, lábios, tudo
Tu te mexes contra mim como quem cavalga
e eu sou o cavalo de carne e sal
que tu montas sem rédea
— "assim, meu macho", tu dizes
e eu acelero
porque a dona pediu
e o dono obedece
com a boca colada em ti
com os dedos apertando tua coxa
com o tesão subindo pelas minhas costas
Tu vens em mim e eu sinto cada onda
— quente, salgada, tua
e eu não paro — quero mais
quero te levar de novo
até onde tu tremes e me chamas
e a saia branca finalmente cai
porque já não serve para nada
— a não ser para eu te envolver nela
e te levar de volta pra cama
onde o fogo não acaba
onde a dona ainda manda
onde o macho ainda serve.
❦
Cléia Fialho
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