Tu disseste que gostas de ver
— então vou deixar a luz acesa
Vou te olhar nos olhos enquanto entro em ti
sem desviar, sem piscar, sem piedade
cada arrepio, cada gota de suor que desce da tua nuca
Tu vais me ver suar por cima de ti
e eu vou ver teus olhos brilharem igual vidro molhado
Não há escuro que nos proteja — nós não precisamos
nós somos o fogo que ilumina o quarto inteiro
Tu vais morder teu lábio e eu vou sorrir
porque sei que a mordida é pra não gritar meu nome
mas eu quero ouvir — quero que tu grites
quero que o vizinho saiba que hoje
tem fera na tua cama
E quando tu vieres, vou te segurar pelos quadris
e não vou parar
— vou te levar até onde tu tremes
até onde tu chamas
até onde tu pedes "mais"
e eu vou dar — porque sou teu
porque tu és minha
porque o sofá já ficou pra trás
e agora é cama, é luz, é carne, é tudo.
❦
Cléia Fialho
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