O azulejo frio queima tuas costas
e eu te pressiono contra o box molhado
O vapor sobe como véu — mas não esconde nada
Teu corpo escorre e eu deslizo contra ti.
enquanto a água quente cai nos nossos ombros
Tu seguras na barra da cortina e ela estremece
igual teu peito quando eu te mordo a nuca.
O espelho embaça — mas eu sei teu rosto de cor
cada curva tuas tá gravada no meu paladar
Tu me puxas pelo cabelo e eu gemo baixo
e o som ecoa no ladrilho igual segredo.
Tua perna sobe pela minha coxa
e o chão escorregadio nos faz cambalear
Nós nos equilibramos entre o desejo e a queda
e quando tu vens, a água desce também
como se o chuveiro abençoasse o que acabou de acontecer.
❦
Cléia Fialho
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