Há um idioma escondido
na curva lenta da minha pele.
É nele que te chamo,
sem dizer teu nome.
quando teu desejo encontra o meu.
Tudo se aproxima.
Tudo floresce.
Meu corpo aprende
o peso doce da tua presença,
como a terra sedenta
recebe a primeira chuva.
Teus olhos percorrem
o que a roupa não consegue esconder,
e meu sorriso entrega
o segredo que meus lábios fingem guardar.
Sou brisa.
Sou febre.
Sou tempestade contida.
Quando tua respiração se mistura à minha,
o tempo esquece de existir.
Ficam apenas os arrepios,
os silêncios carregados de promessas,
as mãos desenhando caminhos
que nenhuma bússola conhece.
Em ti,
me descubro incêndio.
Em mim,
encontras abrigo para tua chama.
E, quando a noite se rende
ao último suspiro do desejo,
não resta vitória nem derrota.
Resta apenas
a doce vertigem
de dois corações
que fizeram da paixão
o lugar mais bonito
para morar.
❦
Cléia Fialho

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