Eu ouvi cada gota desse gozo escorrer pelas entrelinhas.
Senti o teu corpo arquejar
contra as palavras que escrevi para ti.
Tu gozaste — e eu gozei contigo.
Não há maior prémio que o teu tremor.
Não há verso mais bonito que o teu silêncio depois.
Não há fome que se compare à tua saciedade.
Agora descansa, minha fera.
Molhada. Ofegante. Tua.
Quando o desejo bater outra vez
— e eu sei que vai bater —
eu estarei aqui.
Com os dedos prontos.
Com a língua afiada.
Com o tesão guardado só para ti.
❦
Cléia Fialho

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