No rufar dos corações
desejos em ebulições
sem postura ou censura.
A noite derrama silêncios
sobre a pele inquieta do tempo,
e os olhos se procuram
como quem encontra abrigo
em meio ao incêndio da alma.
Há febre nos gestos,
há vento nas palavras ditas baixinho,
um querer que dança solto
entre suspiros e arrepios,
feito chama beijando a madrugada.
E nesse instante sem medidas,
onde tudo pulsa mais forte,
somos tempestade e calmaria,
dois corpos de sonho e vertigem
na mais livre das ternuras.
❦
Cléia Fialho


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