Não me peças contas do tempo,
ele se dissolveu no sal da nossa língua,
no tremor das coxas que se encontram,
na vertigem que rasga o silêncio.
Os dias perdidos ardem aqui,
na febre que nos consome,
na carne que insiste em se abrir,
na fome que não se sacia.
Somos o desvario da noite,
o grito que não se cala,
o suor que escorre como rio selvagem,
a essência crua que nos devora.
E quando o sol nascer,
seremos ainda incêndio,
restos de um mundo que se desfaz
entre gemidos e vertigens.

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