TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia









terça-feira, 26 de maio de 2015

ECORRE COMO RIO SELVAGEM



Não me peças contas do tempo,
ele se dissolveu no sal da nossa língua,
no tremor das coxas que se encontram,
na vertigem que rasga o silêncio.

Os dias perdidos ardem aqui,
na febre que nos consome,
na carne que insiste em se abrir,
na fome que não se sacia.

Somos o desvario da noite,
o grito que não se cala,
o suor que escorre como rio selvagem,
a essência crua que nos devora.

E quando o sol nascer,
seremos ainda incêndio,
restos de um mundo que se desfaz
entre gemidos e vertigens.




  Cléia Fialho


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