Nos pampas largos do sul,
onde o vento assovia segredos
e o céu se deita inteiro no campo,
te vi, entre os cavalos e a bruma,
e o olhar mais quente que a tarde de verão.
Tinhas a alma de relâmpago,
as mãos talhadas pra domar
não só potros bravos —
mas também meus silêncios.
Chegaste sem pressa,
com passos de quem conhece a terra e o corpo,
e entre um mate e outro,
teus olhos me despiam devagar,
como quem sabe que desejo também se cultiva.
O cheiro do suor se misturava
ao cheiro de couro e de cio,
e a bombacha justa te moldava
feito a própria intenção do pecado.
Na calmaria do galpão,
onde o luar se intromete entre as ripas,
teu toque firme me achou inteira
como se decifrasse os mapas do meu pampa.
E quando o silêncio nos cobriu,
com cheiro de mato molhado,
fizemos amor com gosto de tradição
e gemidos que ecoaram
mais longe que o grito de um tropeiro.


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